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domingo, 3 de julho de 2011
"Os Discos do Sérgio Godinho" - B Fachada
Só me mostravas discos do Sérgio Godinho,
Dominavas o glossário daquele verso irregular
Ao santuário trazias moços e vinho,
Vinhas com a viola ao ombro para poder encantar...
Liberdade esta a passar por aqui
E agora e hora de eu te a dar a ti (x2)
Pedi-te a viola, falei-te na minha escola
Que e nula e não vou la a não ser para mim.
E preparei-me para cantar pus o capo no lugar,
Fiz questão de me levantar.
Dei corda a unha, dei corda à composição,
Mesmo sabendo que não gostavas da canção...
Eu também sei escrever para te cantar assim,
Com o verso, enfim, quebrado quase falado.
Eu também sei escrever para te cantar assim,
Com medo de guardar segredo quando o verso é mal cantado...
Senti-te a falta quando seguiste caminho.
A cama fria o meu cantinho a ver a solidão ficar.
No quarto a viola de fininho
Vai guardando cada letra que eu recuso cantar.
Que a liberdade já passou por aqui
Mas estava mal ensinada quis salvar-te só a ti.
A liberdade já passou por aqui
Mas estava mal ensinada quis salvar-te só a ti
Pediu-me a viola para eu lhe passar a bola
A vida crua de rua estava a levar-me ao fim
Não tendo nada para dizer pus a cadência a tocar
Deixei o fado falar.
Dei corda a unha, dei unha a corda solta
Canções hão de sair mesmo sem te trazer de volta
Eu também sei escrever para te cantar assim
Com o verso enfim, quebrado quase falado
Eu também sei escrever para te cantar assim
Com medo de guardar segredo quando o verso é mal cantado (x2)
Só me mostravas discos do Sérgio Godinho
Dominavas o glossário daquele verso irregular...
"Monogamia" - B Fachada
Na hora de se apaixonar,
a Maria escolhe bem.
E como eu escolho assim também
resolvemos experimentar.
Mas o teu gosto por mandar
ai o teu tom cruel de mãe
É bom para a cruz e para o desdém,
É bom para o karma desbundar.
E só é mau para o nosso lar...
E como eu já não tenho idade
para os caprichos da Maria,
Vou deixar a monogamia
e dedicar-me à castidade.
E como eu já não tenho idade
para os caprichos da Maria,
Vou deixar a monogamia
e dedicar-me à castidade...
Enquanto um gajo tenta em vão
não apanhar por coisas vãs,
Vais dando logo pelas manhãs
miminhos teus do coração.
Mas como o sol turva a visão
não vês as deusas, que pagãs,
Te dão um quilo de maçãs,
para te lançar na perdição.
Vem a discórdia rir-se ou não...
E como a minha pequena vontade
cada vez mais se atrofia
Vou deixar a monogamia
e dedicar-me à castidade
E como a minha pequena vontade
cada vez mais se atrofia
Vou deixar a monogamia
e dedicar-me à castidade
Quando um dia o que eu ouvi,
foi mais do que eu pude entender,
Não sobrou nada que fazer,
a solução não estava ali.
Arrumei-me e fugi.
Falta-te um palmo para mulher
E se tu não queres crescer
é melhor partir sem ti
Já pensei, decidi.
Porque apesar de ser verdade
que sem ti é mau o dia,
Vou deixar a monogamia
e dedicar-me à castidade.
Porque apesar de ser verdade
que sem ti é mau o dia,
Vou deixar a monogamia
e dedicar-me à castidade.
Porque eu já não tenho idade
para os caprichos da Maria
Vou deixar a monogamia
e dedicar-me à castidade
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"O Desamor" - B Fachada
Fomos à Escócia e voltamos,
Loucos por ficar a sós.
Fomos mas nunca chegamos
A sair do meio de nós.
Mas a Escócia que gostamos,
Capadócia que cavamos,
Não nos deu o que esperamos
Quando pensamos ser avós.
Fomos à Escócia e deixamos
Três amores cada um.
E o que da Escócia tiramos
Foi tar sem amor nenhum.
Ir e vir foi um regalo.
O desamor sei forçá-lo.
Mas se tão longe o buscamos,
Perto já tinha havido algum.
Não me leves tu a mal,
Não me tentes convencer,
Que o que havia em Portugal
Não chegava para saber.
Dei-te um mês da minha vida,
E um mês é de valor.
E tu podes ser bastante querida
Mas não é preciso dor pra provar o desamor...
Por desamarmos deixamos
Seis amores em ter dó.
E agora que regressamos,
Não sei se nos sobra um só...
É que havia certa esperança,
Que podia ser só dança.
Mas afinal a bonança
Era apenas beijo em pó
Não me leves tu a mal,
Não me tentes convencer.
Que o que havia em Portugal
Não chegava para saber.
Dei-te um mês da minha vida,
E um mês é de valor.
E tu podes ser bastante querida,
Mas não é preciso dor pra provar o desamor...
"Kit de Prestidigitação" - B Fachada
Queres ficar com a televisão
Queres ficar com o meu kit de prestidigitação
Queres ficar com o solar na Beira
Queres a minha velha cafeteira
Queres ficar com o Manel João
Queres ficar com o meu pobre coração
Tu queres tudo e eu dou-te tudo o que há para dar
Levas tudo o que há de mim
Só comigo é que não queres ficar
Aos teus pais dou-lhes tecto e pão
Dou-te a minha irmã para o teu irmão
Aos teus pais dou-lhes tecto e pão
Dou-te a minha irmã para o teu irmão
Queres ficar com a biblioteca,
Queres ficar com os meus LPs do Zeca.
Queres ficar com as vizinhas,
Queres ficar com o porteiro,
Primas minhas, tu tinhas que gostar do mundo inteiro...
Queres ficar com os bilhetes do Vinicius,
Queres as minhas colecções e os meus vícios..
Queres ficar com a casa numa condição,
Ficares também com a adega e a plantação.
Já só tenho mais um rim para te emprestar
O coração já levaste na pensão alimentar
Tu queres de tudo e eu dou-te tudo e dou-me a Deus
Cuido de mim, cuido de ti
Cuido dos meus e porque não dos teus.
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Kit de Prestidigitação
"A Velha Europa" - B Fachada
Quando chegares à Velha Europa, amor,
Tira umas fotos com um bom compositor.
Se ele te piscar o olho, nem hesites em dizer:
"Doutor, o meu marido queria ser como o senhor"
Quando chegares à Velha Europa em flor,
Quero que arranjes um amante sedutor.
Se ele te pedir divórcio, nem hesites em dizer:
"Amor, o meu marido não tem culpa, não senhor"
Quando chegares à Velha Europa atrás,
De alguma coisa que afinal não satisfaz,
Tenta lembrar-te dos carinhos que eu te dei se fores capaz,
E não me troques por beijinhos de rapaz...
Quando chegares da Velha Europa amor,
Eu já terei pintado o quarto de outra cor,
Para entreter durante a tua longa ausência o meu pavor
De me perder sem o teu fio condutor...
Perguntei ao vento se trazia um cabelinho teu...
E até ao momento o raio do vento não me respondeu...
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